O teletrabalho na Administração Pública

O teletrabalho na Administração Pública

Vivemos tempos extraordinários. Esta frase, tão comum nos nossos dias, representa bem a mudança brusca a que toda a sociedade foi sujeita. A capacidade de adaptação que nós, portugueses, apresentamos devia ser caso de estudo. Em poucos dias, conseguimos transformar atividades e processos morosos e limitados em respostas aceleradas e dinâmicas, com adaptações constantes às necessidades de cada organização.

O caso da Administração Pública é por demais evidente. Em escassos dias, os organismos transformaram-se para colocar dezenas de milhar de funcionários a trabalhar à distância, desmaterializando processos de forma ad-hoc, acedendo a informação rapidamente, e desbloqueando tarefas até então limitadas. Acredito que, em breve, poderemos dizer que se assistiu a uma autêntica revolução digital na AP.

Impressiona também a disponibilidade que os próprios funcionários públicos apresentam – e falo aqui da maioria dos organismos públicos, menos conhecidos do grande público, pela sua menor dimensão, mas de grande importância no funcionamento da AP. Sabemos que a maioria dos colaboradores não tem as condições tecnológicas ideais: trabalha com desktops com mais de 6 anos, com poucos processos a funcionar de forma automatizada e sem acesso fora da rede interna. A sua disponibilidade para utilizar os seus meios, para reinventar as atividades de forma remota e para criarem acessos seguros para disponibilização (refiro-me à disponibilidade que as equipas de IT apresentam para aumentar o número de ligações VPN em poucos dias), demonstra que a verdadeira transformação da Administração Pública vem de dentro.

O desafio passa agora pela automação desses processos para que todos possamos ser mais eficientes. A desmaterialização de processos é agora uma evidência que não pode ser posta em causa. A interoperabilidade é uma inevitabilidade no imediato. Trabalhemos todos em conjunto para termos uma Administração Pública que responda às necessidades da sociedade em contínuo – já vimos que em momentos difíceis, ela é capaz de responder à altura.

Ricardo Simões Santos, Managing Partner da GET Consulting, Diretor-Adjunto da Escola Superior Jean Piaget – Instituto Politécnico do Sul